quarta-feira, janeiro 24, 2007

Blog novo:

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sexta-feira, abril 07, 2006

família



Durou no relógio pouco mais de meia-hora, segundos mais, segundos menos. Foi um encontro. Alguns instantes em que os amigos descobrem que estão mais próximos do que imaginam. Próximos de si, e do mundo.

Passaram a tarde inteira juntos, conversando e se divertindo, mas eles não estavam ali todo esse tempo. Em parte dele, o rapaz pensava numa outra menina, também amiga, mas não tão amiga assim, e ela, ela é mulher, só Deus sabe no que ela poderia estar pensando. Ele não sabe, talvez até fosse nele. No entanto, não foi esse momentos da tarde que hoje estão marcados na consciência, na inconsciência e na história deles dois, mas sim, aqueles míseros momentos passados olhando o mar, o sol e o vento, enquanto passava-se por cheiros que mais eram de gente se descobrindo que qualquer outra coisa.

Durou pouco, bem pouco, mas ficou marcado. Segundos aqueles onde dois amigos juntos, mais que qualquer família estiveram ligados. Segundos esses, que de longe já me dão saudade, mas que agora se fizeram mar.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Por Detrás do Espetáculo

“Por de trás do espetáculo, atrás cenário, nos porões do grande teatro da vida, retirada a maquiagem , a peruca, a cinta e os sapatos da atriz, vê-se que está velha, cansada. Respira mal. Tem trêmulas as mãos e os cabelos lhe caem , tufos e mais tufos pelo chão. Ela encara o espelho, olha pra dentro de si e enxerga a sua morte.”

O que é um ator ? Pra que serve ?
Que jogo ele joga ?
Qual a sua função ? Será que o ator é um produto? Ele vende ? É vendido? É uma imagem ? É Real ?
Qual o seu poder ? Ele pode algo ? O que ele pode ?

A presente discussão pretende tratar dessas questões, sobre esse jogo (disputado nos subterrâneos da profissão), de suas regras e seu funcionamento.
Como se fabrica um ator (um determinado tipo de ator) ? Ele sai pronto e embalado após um estágio de alguns meses num curso qualquer de teatro ou algo assim , uma indústria que o empacota, o sela sem garantia (e sem opção de devolução), e o faz acreditar estar pronto para algo que nem sabe ao certo o que é. É lançado no campo de batalha e aí começa - ‘Deus nos acuda!’ - a atirar, com suas armas, de improviso e para todos os lados. Ao ser alvejado, o dito ator não pensa duas vezes (porque muitas vezes não lhe foi conferida a possibilidade de pensar), ele se entrega. Sua carcaça é levada e exposta numa vitrine luminosa . Ele se torna um bom bife. Pode ser comprado, preparado, comido e por fim digerido . Podem também vomitá-lo ou antes jogá-lo aos cães . Mas o mais intrigante é que ele não liga ! Ele até gosta, nada lhe dói e, entorpecido ,o ator se deixa abater. Adora a idéia de ter mastigados o seu corpo, sua mente e sua alma.

Qual o preço a ser pago por isso? Na verdade, muitas vezes esse ator escolhe o preço que quer pagar. E, nesse caso, esse preço é o de sua própria aniquilação, sua redução à aquela passividade tão letal que o leva a uma espécie de morte invisível e gradual. Ele vende o seu alento e despreza o que de tão valioso poderia oferecer: seu pensamento e sua real expressão . Não é mais dono de si. E crê ainda ser esse um bom sentido para tudo.
Nesse jogo, onde as regras são as da coisificação, cada vez mais ele se perde. Cada vez mais adentra num mundo onde as aparências imperam. Ele sobrevive acreditando nelas e em seu inegável poder de persuasão. O encantamento perdura. Ele tem o ego inflado e é tomado aos poucos por essa soberba própria daqueles que se embrenham na gana por um poder cada vez maior.
O ator-alpinista vai subindo, usando a cabeça de uns como apoio, cortando a corda de outros , e lançando pedras abaixo, sempre rumo ao topo da montanha (qualquer que seja ela , o importante é chegar ao topo).
Se acaso ele chega, por lá finca a sua bandeira, cerca seu espaço e o defende com unhas e dentes . Por lá permanece até que outro tome o seu lugar lançando-o montanha abaixo.
Eis um quadro poderoso e cruel !


Nos bastidores dessa luta desenfreada por poder e celebridade, encontra-se um Inferno. Uma fogueira de vaidades e almas perdidas, apartadas de toda ou alguma vicissitude humana ou convicções que realmente valham a pena. Mas a pergunta que persiste e que não é tão evidente nem fácil de responder é : Aonde leva ou o que de fato há por trás desse rumo? Qual o atrativo real por de trás dos artifícios?
De alguma maneira o topo dessa imensa escalada desemboca em um planalto arejado e bem regado pelo sol, farto de delícias da tão cobiçada segurança - alçada no prestígio e no renome. A morte a muito se assemelha a essa imensa e passiva segurança (que na realidade não é tão segura assim).
Tennesee Willams, dramaturgo americano, em seu ensaio chamado “A Catástrofe do Sucesso”, diz : “(...) Ninguém escapa assim tão facilmente da sedução de uma maneira de viver sibarítica. Você não pode arbitrariamente dizer a si mesmo, de um momento para outro: agora eu vou continuar a minha vida como ela era antes de essa coisa, o Sucesso, acontecer. Mas logo que você apreender a vacuidade de uma vida sem lutas, você estará equipado com os meios básicos de salvação. Logo que você souber que isto é verdade, que o coração do ser humano, seu corpo e seu cérebro são forjados numa fornalha de brasas vivas especificamente para o propósito do conflito, do choque (a luta criadora), e que, uma vez desaparecendo esse conflito, o homem é uma mera espadinha de criança, boa para cortar margaridas, que não é a privação mas sim o luxo, o lobo mau, e que os dentes agudos do lobo são formados pelas vaidadezinhas e indolências pequeninas que constituem o legado do Sucesso - então, de posse dessa certeza, você está pelo menos apto a saber onde reside o verdadeiro perigo. (...) A segurança é uma espécie de morte, creio, (...) Pergunte a qualquer pessoa que já passou pelo tipo de sucesso de que estou falando. Para que serve ?”.

Bruno Feldman


Desta vez, quem veio contribuir com o Desencaixe foi meu amigo Bruno... Lindo o texto!
Quem quiser saber mais sobre o Bruno pode ler seu perfil


Beijão =*

domingo, novembro 20, 2005

Sozinha no mundo... amparada pelo Rafa

[05:12] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": odeio a impressao de mundo parado
[05:12] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": odeio qnd ele roda mais rapido q eu
[05:13] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": qnd nao me sinto com poder de bater e rodar no mesmo ritmo q ele faz comigo
[05:13] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": eu também
[05:13] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": mas odeio quando parece parar
[05:13] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": todo mundo evapora
[05:13] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": só eu existo
[05:13] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": tudo são fotos
[05:13] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": nada são pessoas
[05:13] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": todo mundo está dormindo.. ou amando
[05:14] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": e eu fiquei pra trás
[05:14] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": isso e o mundo webico nai, eu ando me desiludindo com ele
[05:14] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": eu odeio "ja volto" sem voltar
[05:14] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": e
[05:14] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": e mais facil falso cristao palestra aqui
[05:14] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": se é q me entende
[05:14] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Não
[05:15] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": eu gostaria muito de alguma evapodacao...mas nao do a minima do sentido de ser na internet isso
[05:15] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": queria q acontecesse no mundo venoso
[05:15] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Eu to falando do MUNDO
[05:15] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": MUNDO...
[05:15] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": On ou Off.. tudo é Mundo
[05:16] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": eu sei, to dizendo de minhas percepcoes
[05:16] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": eu outro dia passei ate 9h da manha conversando com mais dois amigos na casa de um deles
[05:16] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": e enxerguei isso depois de muito tempo
[05:16] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": no comeco fez bem, depois deu medo, e agora talvez eu melhore
[05:17] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": oq te fez dizer q o mundo parou?
[05:18] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Sabe quando ninguém responde, ninguém está vivo, a tv está com listras coloridas e tocando música, o msn só tem pessoas away, as pessoas vivas sumiram, até mesmo os sites de noticias parecem ter estaguinado
[05:19] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": aham...entendo sim
[05:19] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": mas foi meio q isso q digo q andei enxergando
[05:19] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": q acoplei a internet dum jeito q me deixava feliz e repleto, e na verdade nao e verdade...
[05:19] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": digo isso qnt a mim
[05:20] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": nao digo ou desdigo qnt a vc nai
[05:21] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": eu ja sofri muito qnd a insonia me asolava, a tv com aquele som horrivel e lista coloridas, a internet pessoas falsas q falam qualquer coisa so por falarem...
[05:21] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": eu me sinto perigoso nessas horas, mas perigoso pro mundo como eu gostaria, e sim pra mim mesmo... e minhas feridas
[05:22] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Porque você insiste que estou falando de internet...
[05:22] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": desculpa se nao to conseguindo ajudar vc, e q certas coisas ferem, inclusiva eu mesmo a mim mesmo
[05:22] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": nao insisto nai, to falando da minha visao atual
[05:22] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": so isso
[05:22] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Não, relaxa.
[05:22] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Também a internet, mas não só
[05:23] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": mas esta irritada com algo? ou e aquele momento q o sinlencio nao conforta?
[05:23] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": É tudo.. é você não ouvir passos na rua
[05:23] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Estou irritada com a solidão
[05:23] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Com o resto do mundo sumir e eu ter ficado aqui sozinha
[05:24] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": De todas as pessoas estarem em algum lugar, fazendo alguma coisa e eu... estar aqui
[05:24] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Sozinha, sem fazer nada, com um copo de água e vestindo quase nada
[05:24] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Percebe, há pouca coisa
[05:24] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Não que eu queira muito, mas só um pouco mais
[05:24] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": nai, eu tinha muito isso, e as vezes ainda tenho...
[05:25] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Pelo menos agora os pássaros no pé de abil estão cantando
[05:25] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": eu lembro q inumeras vezes eu escorava na poltrona, olhando o dia amanhercer, sem conseguir dormir, e pensava q la fora as pessoas dormia ou obtinham exitos constantes e eu nao conseguia
[05:25] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Acho que eu fiquei sozinha no mundo com os pássaros...
[05:26] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Para mim não é bem o caso de não dormir... eu já dormi e daqui a pouco vou dormir de novo, afinal, é o que resta
[05:26] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": nao, vc nao tem eles, e sim eles a vc... vc ta triste\, pelo menos parece... entao nao tire essas conclusoes, mesmo sendo mais facil falar do q agir nessas horas
[05:27] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": tem certas coisas q vc vira a fazer q aos poucos vao substituir esse "vazio"
[05:28] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Que vontade de acordar o mundo com o telefone
[05:28] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": que vontade de acordar ALGUÉM com o telefone
[05:28] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Pior só se eu acordar alguém que estiver acompanhado né...
[05:28] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": e acordar mais do que alguém
[05:28] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": alguem feriu vc nai?
[05:28] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": seus sentimentos?
[05:29] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Não...
[05:29] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Não sei..
[05:29] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Eu sou ferida naturalmente...
[05:29] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Hei.. tchau
[05:29] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Vou alucinar na cama, que é lugar quente
[05:29] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Não é assim que dizem?
[05:30] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": nao
[05:30] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": pra mim nao adianta
[05:30] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": mas eu nao chorro mais olhando aquele azul com cinza
[05:30] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": nao posso mais fazer
[05:30] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": isso
[05:30] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Não vou chorar...
[05:30] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Esqueci como faz
[05:31] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Um beijo =*
[05:31] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": mas eu qnd tava nesse estado parecido
[05:31] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": chorava de doer
[05:31] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": uma raiva constante
[05:31] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Eu não choro..
[05:31] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Não mais...
[05:32] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": ta saindo? bjinho naiara...quero q fique bem... pq ta me parecendo q alguem lhe feriu, ou a ausencia de alguem esta deturpando certos pensamentos seus
[05:32] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Estou... Fica tranquilo.. é alguém e o mundo.. eu sou assim, naturalmente ferida.. você sabe...
[05:33] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Te amo
[05:33] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": Beijos =*
[05:33] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": sim
[05:33] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": sim
[05:33] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": mas nao pense antes de saber ou ficar sabendo
[05:33] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": q dizer nao deixe q o pensamento faco o resto parar
[05:33] The Walrus: (Kanji MU):"We gotta city and love": algo a se pensar
[05:34] "Toda mulher gosta de apanhar" - "Nem todas. Só as normais.": tchau...

sábado, novembro 12, 2005

Uma Colunista em crise

Era sexta-feira e despertei preguiçosamente com o barulho na cozinha do vizinho, já era meio dia e alguém lá preparava o almoço. Enquanto tomava banho lembrei-me de que ainda não havia escrito a minha coluna, não dei muita bola e deixei o dia correr, não fiz nada de produtivo durante ele. A noite me dei conta que estava fugindo da minha coluna por não saber sobre o que escrever.
Na manhã seguinte ainda não tinha tido nenhuma idéia, mas isso já não me assustava mais e sim aterrorizava. Resolvi sair, andar e ver se quem sabe algum motivo para uma crônica surgia.
Andrei por todo o bairro observando a primavera querendo chegar, as crianças brincando nos parquinhos e as donas de casa desfilando com suas sacolas de feira. Ao ver um balanço vago,o único vago, pensei em me balançar, afinal, sempre funcionei melhor com algum estímulo. Queria balançar cada vez mais alto e até pedi um empurrãozinho a uma babá que ali estava. Pasmou-se, mas fez o que lhe pedi.
Voltei para casa ainda mais desconsolada, o que faria agora? Não poderia deixar “minha” revista na mão e estaria colocando meu emprego em risco.
Eu nunca tinha passado por uma crise de criação como essa e no desespero resolvi ligar para o meu editor, um cara inteligente e sempre com boas idéias, poderia me salvar. Fiz uma figa com os dedos e disquei com a outra mão, ele estava diferente e disse-me para que me virasse sozinha pois a coluna era problema meu.
Um problema meu na revista dele!
E se eu fizesse um texto moderno colocando palavras sem sentido e frases sem sentido no melhor estilo dadaísta, deixando assim que os pseudo-intelectuais encontrassem beleza e arte no meu texto. Poderia também falar sobre o amor, mas me dei conta que não sabia nada coerente sobre ele, talvez porque não haja coerência nele.
Quem sabe falar sobre um amigo que anda cultivando maconha em vasinhos no seu apartamento, claro que com a ajuda de um poderoso fertilizante, certamente puro nitrogênio. Relacionaria esse amigo com outro, que ainda não começou a cultivar os seus bebezinhos, mas acredita na força do seu ch’i.
Sorte que logo afastei essa idéia, poderia me causar problemas e não estou querendo encarnar nenhuma Soninha Francine.
Juro que pense até em escrever sobre a falta de tempo enchendo a folha de TIC-TAC cortados por um X. E em última instância colocaria na página 13 daquela revista uma receita de bolo para relembrar a censura na ditadura militar e fazer perceber que ainda somos censurados, mas fiquei na dúvida se seria de banana ou chocolate!
Poderia vasculhar revistas antigas em busca de um novo tema, mas o resultado poderia não ser satisfatório e os leitores não leriam até o final, e o pior, poderiam deixar seus filhos recortar a página para guardarem o ursinho Pooh em alto-relevo da página anterior. Esta era uma das minhas grandes preocupações, ter minha coluna recortada (ainda mais antes de ser lida) porque na página anterior havia uma propaganda fofa.
Precisava de uma idéia com extrema urgência, era meu prestigio como colunista de uma revista independente (mas dependente) que estava em jogo.
Tentei escrever no computador, mas o ruído do meu HD pedindo manutenção me distraia, não foi diferente com a máquina de escrever, que me torturava com o tec-tec e nem com a caneta que ao invés de escrever fazia pequenas tulipas azuis na margem da folha.
Já era noite de domingo e eu deveria entregar a coluna até as 7:00hs da segunda-feira porque na quarta-feira os exemplares já começariam a chegar nas bancas...
Foi quando olhando para o céu e esperando uma ajuda de São Jorge, das plêiades ou até mesmo de um viajante interplanetário que percebi... minha maior e melhor crônica era eu.
Eu era uma crônica...

“Uma Colunista em crise”
15/ 09/2005 – 8:36hs

quinta-feira, outubro 20, 2005

Pan

sábado, outubro 01, 2005

O sangue aguado em meus lábios

Descobri o sangue aguado em meus lábios,
a representação desse sangue.
Que quando vivo, se é que é vivo, traz consigo ares de desejo.
Desejo carnal, impuro, profano.
Assemelha-se aos lábios das mulheres libertinas
que se libertam gritando.
Mordendo e sangrando
o vermelho de um sangue aguado.
Quando gasto é como se demonstrasse o desejo singelo
quase destituído de pecados.
Quase puro.
Quase aceito
quase....

Pensado e rabiscado em um caderno qualquer por Naiara, ás 6:34hs do dia 13/04/2005