Uma Colunista em crise
Era sexta-feira e despertei preguiçosamente com o barulho na cozinha do vizinho, já era meio dia e alguém lá preparava o almoço. Enquanto tomava banho lembrei-me de que ainda não havia escrito a minha coluna, não dei muita bola e deixei o dia correr, não fiz nada de produtivo durante ele. A noite me dei conta que estava fugindo da minha coluna por não saber sobre o que escrever.
Na manhã seguinte ainda não tinha tido nenhuma idéia, mas isso já não me assustava mais e sim aterrorizava. Resolvi sair, andar e ver se quem sabe algum motivo para uma crônica surgia.
Andrei por todo o bairro observando a primavera querendo chegar, as crianças brincando nos parquinhos e as donas de casa desfilando com suas sacolas de feira. Ao ver um balanço vago,o único vago, pensei em me balançar, afinal, sempre funcionei melhor com algum estímulo. Queria balançar cada vez mais alto e até pedi um empurrãozinho a uma babá que ali estava. Pasmou-se, mas fez o que lhe pedi.
Voltei para casa ainda mais desconsolada, o que faria agora? Não poderia deixar “minha” revista na mão e estaria colocando meu emprego em risco.
Eu nunca tinha passado por uma crise de criação como essa e no desespero resolvi ligar para o meu editor, um cara inteligente e sempre com boas idéias, poderia me salvar. Fiz uma figa com os dedos e disquei com a outra mão, ele estava diferente e disse-me para que me virasse sozinha pois a coluna era problema meu.
Um problema meu na revista dele!
E se eu fizesse um texto moderno colocando palavras sem sentido e frases sem sentido no melhor estilo dadaísta, deixando assim que os pseudo-intelectuais encontrassem beleza e arte no meu texto. Poderia também falar sobre o amor, mas me dei conta que não sabia nada coerente sobre ele, talvez porque não haja coerência nele.
Quem sabe falar sobre um amigo que anda cultivando maconha em vasinhos no seu apartamento, claro que com a ajuda de um poderoso fertilizante, certamente puro nitrogênio. Relacionaria esse amigo com outro, que ainda não começou a cultivar os seus bebezinhos, mas acredita na força do seu ch’i.
Sorte que logo afastei essa idéia, poderia me causar problemas e não estou querendo encarnar nenhuma Soninha Francine.
Juro que pense até em escrever sobre a falta de tempo enchendo a folha de TIC-TAC cortados por um X. E em última instância colocaria na página 13 daquela revista uma receita de bolo para relembrar a censura na ditadura militar e fazer perceber que ainda somos censurados, mas fiquei na dúvida se seria de banana ou chocolate!
Poderia vasculhar revistas antigas em busca de um novo tema, mas o resultado poderia não ser satisfatório e os leitores não leriam até o final, e o pior, poderiam deixar seus filhos recortar a página para guardarem o ursinho Pooh em alto-relevo da página anterior. Esta era uma das minhas grandes preocupações, ter minha coluna recortada (ainda mais antes de ser lida) porque na página anterior havia uma propaganda fofa.
Precisava de uma idéia com extrema urgência, era meu prestigio como colunista de uma revista independente (mas dependente) que estava em jogo.
Tentei escrever no computador, mas o ruído do meu HD pedindo manutenção me distraia, não foi diferente com a máquina de escrever, que me torturava com o tec-tec e nem com a caneta que ao invés de escrever fazia pequenas tulipas azuis na margem da folha.
Já era noite de domingo e eu deveria entregar a coluna até as 7:00hs da segunda-feira porque na quarta-feira os exemplares já começariam a chegar nas bancas...
Foi quando olhando para o céu e esperando uma ajuda de São Jorge, das plêiades ou até mesmo de um viajante interplanetário que percebi... minha maior e melhor crônica era eu.
Eu era uma crônica...
“Uma Colunista em crise”
15/ 09/2005 – 8:36hs
Na manhã seguinte ainda não tinha tido nenhuma idéia, mas isso já não me assustava mais e sim aterrorizava. Resolvi sair, andar e ver se quem sabe algum motivo para uma crônica surgia.
Andrei por todo o bairro observando a primavera querendo chegar, as crianças brincando nos parquinhos e as donas de casa desfilando com suas sacolas de feira. Ao ver um balanço vago,o único vago, pensei em me balançar, afinal, sempre funcionei melhor com algum estímulo. Queria balançar cada vez mais alto e até pedi um empurrãozinho a uma babá que ali estava. Pasmou-se, mas fez o que lhe pedi.
Voltei para casa ainda mais desconsolada, o que faria agora? Não poderia deixar “minha” revista na mão e estaria colocando meu emprego em risco.
Eu nunca tinha passado por uma crise de criação como essa e no desespero resolvi ligar para o meu editor, um cara inteligente e sempre com boas idéias, poderia me salvar. Fiz uma figa com os dedos e disquei com a outra mão, ele estava diferente e disse-me para que me virasse sozinha pois a coluna era problema meu.
Um problema meu na revista dele!
E se eu fizesse um texto moderno colocando palavras sem sentido e frases sem sentido no melhor estilo dadaísta, deixando assim que os pseudo-intelectuais encontrassem beleza e arte no meu texto. Poderia também falar sobre o amor, mas me dei conta que não sabia nada coerente sobre ele, talvez porque não haja coerência nele.
Quem sabe falar sobre um amigo que anda cultivando maconha em vasinhos no seu apartamento, claro que com a ajuda de um poderoso fertilizante, certamente puro nitrogênio. Relacionaria esse amigo com outro, que ainda não começou a cultivar os seus bebezinhos, mas acredita na força do seu ch’i.
Sorte que logo afastei essa idéia, poderia me causar problemas e não estou querendo encarnar nenhuma Soninha Francine.
Juro que pense até em escrever sobre a falta de tempo enchendo a folha de TIC-TAC cortados por um X. E em última instância colocaria na página 13 daquela revista uma receita de bolo para relembrar a censura na ditadura militar e fazer perceber que ainda somos censurados, mas fiquei na dúvida se seria de banana ou chocolate!
Poderia vasculhar revistas antigas em busca de um novo tema, mas o resultado poderia não ser satisfatório e os leitores não leriam até o final, e o pior, poderiam deixar seus filhos recortar a página para guardarem o ursinho Pooh em alto-relevo da página anterior. Esta era uma das minhas grandes preocupações, ter minha coluna recortada (ainda mais antes de ser lida) porque na página anterior havia uma propaganda fofa.
Precisava de uma idéia com extrema urgência, era meu prestigio como colunista de uma revista independente (mas dependente) que estava em jogo.
Tentei escrever no computador, mas o ruído do meu HD pedindo manutenção me distraia, não foi diferente com a máquina de escrever, que me torturava com o tec-tec e nem com a caneta que ao invés de escrever fazia pequenas tulipas azuis na margem da folha.
Já era noite de domingo e eu deveria entregar a coluna até as 7:00hs da segunda-feira porque na quarta-feira os exemplares já começariam a chegar nas bancas...
Foi quando olhando para o céu e esperando uma ajuda de São Jorge, das plêiades ou até mesmo de um viajante interplanetário que percebi... minha maior e melhor crônica era eu.
Eu era uma crônica...
“Uma Colunista em crise”
15/ 09/2005 – 8:36hs

4 Comments:
WoW!!! muito show nai!! somos todos cronicos!! todos temos momentos assim, bem bolado... se parassemos para pensar um pouco ao inves de nos desesperar em busca de respostas, com certeza, as encontrariamos muito mais rapidamente... pois todas as respostas estão abaixo de nossos narizes... assim como meu amor por ti... eh algo estranho, cronico... mas real, basta olhar com mais atenção, e vc perceberá... a ilusão está nos olhos de quem vê, a realidade, no coração de quem sente!! bjos
Vi na ficção da crônica a realidade em mim estampada. A vida imita a arte rs.
A realidade da crônica me assustou qdo ela se apresentou ficção ... melhor assim então =]
Bjos!!
Ae! finalmente consegui!!!
Nem lembro mais o que fala o post...
Ah! Lembrei! Gostei mt do seu texto... E também nunca consegui escrever nada coerente sobre amor. Acho que ninguém nunca vai conseguir, hehe...
=*
Floquinho,
Até que enfim um conto (?) postado? Agora você pode jogar esse na privada porque já está registrado aqui.
Beijos
Ps: Melhoras viu
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